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| Será que tem jeito? |
Roberto Moraes Enviou " Artigo do Companheiro
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
RC do Recife - Boa Vista (Distrito 4500)
O escândalo do mensalão de Brasília, filmado e com áudio, a comprovar o quanto o esporte da corrupção se sofisticalizou entre nós, vai aos poucos esfriando no noticiário e o Governador Arruda, pego com a mão na massa em uma das fitas entregues às autoridades, parece que tende a conseguir se segurar no cargo, mesmo que impedido de disputar a reeleição, já que, ressabiado pelas denúncias, pediu desfiliação partidária,
A constatação é absolutamente objetiva.
O “andar da carruagem”, salvo uma ou outra notícia que sai nos jornais, em letras miúdas, não antecipa, decididamente, bons prognósticos. Basta ver que a própria Imprensa noticiou, dia desses, que há no Congresso Nacional a bagatela (!) de 102 casos de escândalos contra parlamentares à espera de solução.
Por outro lado, não bastassem as traquinagens de quem tem partido, os exemplos de infidelidade partidária só fazem aumentar, se bem que basta o parlamentar dizer que saiu da legenda por que se sentia perseguido ou por que não foi cumprido o programa partidário para ficar tudo em céu de brigadeiro. E zero de punição.
Todos os elementos para que o cidadão possa formar a sua opinião, o seu juízo de valor, estão aí, em tempo real, massificados graças à Internet. É só lê-los. E para quem ainda não possui acesso ao mundo virtual, também não falta a fonte. Os jornais impressos não deixaram de ser rodados.
O fato concreto é que, sem conhecimento, ou seja, sem educação, sem cidadania participativa, não se muda a realidade e não se avança em direção a um futuro melhor.
No próximo mês de janeiro (2010), logo, em ano sabidamente eleitoral, estreará um filme que se propõe, singelamente, a narrar a trajetória de vida do atual presidente brasileiro, desde a infância sofrida no sertão nordestino à afirmação como liderança sindical, de onde saltou para a política partidária e daí para a chefia da Nação.
A película, com insuspeita clareza, mesmo não sendo este o seu propósito (do que duvido), cerca o personagem-título de uma tal redoma de santidade, de mitologia, que é, no mínimo, discutível afastá-la como peça de propaganda eleitoral antecipada.
Diz-se isso por uma razão bastante simples: o governo possui candidata própria na eleição presidencial de 2010, mas ela, sem conseguir alavancar nas pesquisas, ameaça morrer na praia, na medida em que o seu principal fiador e avalista, ninguém menos que o presidente da República, não vem conseguindo, ao menos não até esse momento, lhe transferir a sua imensa popularidade.
Penso ser ingenuidade não enxergar na estratégia da “cinebiografia”, mais ainda diante da grade de patrocinadores da referida produção, exemplo de propaganda eleitoral antecipada, desnivelando a campanha, que, repita-se, mal começou.
Fere-se, com isso, os princípios da isonomia, da segurança jurídica, da razoabilidade e da moralidade administrativa, todos eles de galardão constitucional.
Ainda assim, vale perguntar: será que tem jeito para o Brasil ou estamos mesmo fadados a uma classe política que insiste em povoar o noticiário policial?
Respondo que jeito tem, claro que tem, basta apenas o cidadão saber em quem vai votar, conhecer as propostas, as ideias, os compromissos do candidato, antes de pressionar a tecla “confirma” na urna eletrônica. E depois aprender a fiscalizar e a cobrar de quem foi eleito para que cumpra com as promessas feitas durante a campanha. Parece simples como a fórmula química da água, mas na prática não tem sido assim. O que falta mudar, afinal?
Se a psicologia do voto for alterada no seu fator qualitativo, muito provavelmente será alterado também o estatuto moral da representação parlamentar, e, com isso, aumentam as chances de se derrotar a corrupção para sempre, ou, pelo menos, reduzi-la a uma dimensão bastante acanhada daquilo que hoje se presencia.
O impagável Millôr Fernandes, certa feita, disse o seguinte: "Acabar com a corrupção é o objetivo supremo de quem ainda não chegou ao poder". Também do mesmo autor: “Por mais sábio que seja, o político sempre acaba cometendo alguma sinceridade”. Pois é assim, rigorosamente assim, que a grande maioria da população enxerga os seus políticos. Políticos, todavia, que ela própria colocou aonde eles estão. Ninguém conquistou o mandato que exerce por sorteio.
Figura das mais respeitadas pela coerência de sua vida pública, o saudoso Mário Covas chegou a desabafar que, no Brasil, ter ética se assemelhava a portar uma espécie de anomalia.
Rotary, como é cediço, identifica na ÉTICA um de seus pilares sustentadores. Dar de si antes de pensar em si. Nada fazer que não seja verdadeiro e justo para todos os interessados.
Nós, rotarianos, somos por essência formadores de opinião. É visível o quanto, em democracias mais amadurecidas que a nossa, a palavra de uma organização como o Rotary é levada em consideração. Salta aos olhos a sua respeitabilidade institucional.
Que em 2010, nas urnas, a sociedade brasileira reaja à altura. Os meios para tanto ela já dispõe.
Enfim, tem jeito sim. Basta querer.
Artigo do Companheiro
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
Advogado e ex-Conselheiro da OAB/PE (2004/2006)
RC do Recife-Boa Vista (Distrito 4500)"
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