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| Apartidários, Apolíticos ou Apáticos |
RobertoMoraes Enviou " Artigo do Companheiro
Vitor Meirelles
Rotary Club de Limeira Norte Distrito 4590
Meu Pai, que faleceu em 1995, era Sócio do Rotary Club de Limeira, desde os anos 70. Em 1993 fui empossado, como sócio fundador, no Rotary Club de Limeira Norte. Assim desde criança ouço que em Rotary não se discute política ou religião, que trabalhamos pela comunidade com prestação de serviços voluntários e ainda com assistencialismo social, defendendo a dignidade de toda profissão e a ética nas relações pessoais e comerciais. Sempre fomos orientados a não nos envolvermos, como instituição, no apoio a candidatos e partidos políticos, ou seja, apartidários. Entendo que esta restrição é prudente e altamente recomendável, para evitar o confronto entre partidos e candidatos, que poderiam inviabilizar a execução dos projetos humanitários do Rotary.
Do mesmo modo que deixamos de lado partidos e candidatos, infelizmente também deixamos de lado a discussão e o posicionamento sobre questões fundamentais da humanidade e das questões mais próximas em nosso País. E assim vi as grandes questões nacionais passarem ao largo das discussões em Rotary.
Mais uma vez nos deparamos uma situação que escandaliza a nação sob todos os aspectos. Por um lado, o Presidente do Senado é acusado por 11 infrações éticas, ou falta de decoro parlamentar; de outro lado um toma lá da cá entre o Poder Executivo e o Legislativo para barrar as investigações. Sem qualquer constrangimento Senadores declaram que foram feitos acordos para o encerramento das investigações, ou melhor, para nem começá-las. Um Senador se diz envergonhado com o ocorrido e diz num dia que iria sair da Liderança do Governo e, no dia seguinte, diz que não era bem isto que queria dizer e que voltou atrás porque o Presidente da República pediu desculpas. Ora, mesmo envergonhado o Senador votou pelo arquivamento das investigações.
Não se trata do Presidente do Senado de ser ou não culpado das acusações que lhe são feitas, trata-se de jogar no lixo todo e qualquer código de ética para evitar a apuração dos fatos.
O Presidente anterior, Sr. Renan Calheiros, para que as investigações fossem arquivadas, fez acordo e renunciou ao cargo de Presidente, seguindo o caminho do outro recente Presidente da mesma Casa, Sr. Jader Barbalho.
E as notícias se multiplicam. O Jornal “O Estado de São Paulo” está sob censura, devido a uma liminar concedida ao Sr. Fernando Sarney, filho do Senador-Presidente José Sarney, que alegou que as notícias veiculadas pelo Jornal estavam denegrindo a imagem da família. A Liminar foi concedida por um Desembargador do Tribunal de Justiça de Brasília, amigo da família Sarney.
A União Nacional dos Estudantes (UNE), que sempre lutou pelas instituições democráticas, pela transparência, que foi às ruas contra a corrupção e pelas “Diretas Já”, realizou no mês de julho/2009 um encontro em Brasília, sob o patrocínio da Petrobrás. Os estudantes saíram às ruas em passeata, dirigindo-se ao Congresso Nacional para protestar contra a instalação de uma CPI, que investigaria desvios financeiros na Petrobrás. O aparelhamento do Estado chegou até os estudantes. É lamentável.
Poderia continuar por laudas e laudas a relatar aquilo que vem à tona pela imprensa, mas o que precisamos é nos questionarmos sobre nosso papel na sociedade.
Como nós, que nos intitulamos líderes, podemos ficar passíveis num momento em que vemos o aparelhamento do Estado; os inúmeros casos de corrupção e, agora, tentativa de calar a imprensa? Se líderes o somos, por que não estamos, como instituição, liderando a comunidade contra o caos moral instalado nas esferas do poder?
Partidos políticos que não representam uma corrente de pensamento, mas uma corrente de interesses. Políticos que vão e vem de partido em partido, que nem a Lei da fidelidade partidária inibiu.
Nossa instituição há muito vem perdendo Companheiros e muito luta para recompor seu quadro associativo. Mesmo com projetos ambiciosos em meio ambiente, saúde e educação, não conseguimos alcançar a motivação necessária para o aumento do quadro social.
Será que uma das causas não é esta nossa passividade ante estas grandes questões? Será que ao não abordarmos estas questões, estamos nos limitando a sermos apenas uma grande casa de caridade? Será que ao propagarmos que somos éticos, mas não lutarmos pela obediência da ética pelos nossos políticos, não estamos sendo hipócritas, incoerentes e dando um falso testemunho à comunidade e aos sócios? Como somos vistos quando, para realizar um evento, nos colocamos ao lado de políticos cuja conduta não é exemplar? Será que quando implementamos nossos programas de educação, saúde, meio ambiente, entre outros, não estamos ajudando a manter no poder aqueles elementos nocivos da sociedade?
Será que esta não é uma das causas que impedem o desenvolvimento e manutenção do quadro social?
“Quando os bons se omitem os maus assumem o poder” (parábola Jotão).
Martin Luther King disse uma vez: O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.
A discussão está aberta. Apartidários, sim. Apáticos, Não.
Vitor Meirelles
Rotary Club de Limeira Norte Distrito 4590
Presidente 1994/1995 e 2006/2007
GA Região 8 – 2008/2009
Membro dos Grupos de Companheirismo:
IFMR-SA – International Fellowship of Motorcycling Rotarians – South America
IYFR - International Yachting Fellowship of Rotarians – Flotilha Brasil
IFRSD - International Fellowship of Rotarian Scuba Divers"
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