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| Acabou-se a Copa para o Brasil, e agora? |
Roberto Moraes Enviou " Artigo do Companheiro
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
RC Recife Boa Vista – D 4500
Sem querer de maneira alguma soar masoquista, já que a ocasião não recomenda o uso do humor, ainda que de boa-fé, acredito com sinceridade que a recente eliminação da seleção brasileira nas quartas de final da Copa do Mundo de futebol, realizada na Alemanha, merece uma reflexão muito mais dilargada e séria do que aquela a que se propõem os pretensos estudiosos do tema, alguns dos quais dele entendem tanto quanto eu de disco voador ou botânica (ou seja, nada).
Deixando à margem, portanto, o sangue frio de alguns comentaristas e o descontrole emocional de outros frente à derrota impingida, aqueles sentenciando, laconicamente, que a seleção mereceu perder pois jogou um péssimo futebol, dando vexame, o que é fato, mas não esgota o tema, enquanto estes últimos caçam com avidez pretensos "culpados" para a derrota por 1 a 0 para o time da França e o seu implacável Zidane, vamos com franqueza procurar conferir à questão o enfoque que ela hoje reclama, e que não é, nem de longe, o esportivo.
Pessoalmente, nunca vi lá muita graça ou tive grande interesse pelo futebol, de modo que hoje confesso que não perco (aliás, nunca perdi) uma única noite de sono por causa dele, mas o fato é que Copa do Mundo é algo bem diferente de se gostar ou não de futebol, vez que ali não se trata apenas de uma competição como outra qualquer, mas do orgulho nacional que entra em campo junto com os atletas e com o treinador, numa analogia que muito lembra a irrefreável e quase cega adoração dos norte-americanos por seus símbolos, em particular, pela sua bandeira.
É a mais pura verdade e ninguém no seu perfeito juízo há de negar que o time escalado por Carlos Alberto Parreira frustrou a própria mística que sempre acompanha os jogadores brasileiros mundo afora, certo que boa parcela deles, remunerados a peso de ouro, jogam na Europa e na Ásia. Nem o tal "quadrado mágico" funcionou, nem os Ronaldos mostraram a que vieram, enfim, foi um desastre completo. A conclusão óbvia a que se chega, pois, é a de que o time brasileiro mereceu perder, uns, inclusive, afirmando que melhor perder nas Quartas que na grande final, como em 1998.
Nesse sentido, aliás, são precisas as palavras do jornalista Humberto Perón, em sua coluna "FUTEBOL NA REDE" para a Folha de São Paulo 'on line', escrita no dia fatídico da derrota, 01 de julho:
"Fomos derrotados por um time que foi infinitamente melhor que o nosso. Sofremos um revés, porque tivemos no lado francês, um craque. Numa Copa do Mundo em que não tínhamos tido nenhuma atuação individual fantástica, Zidane foi perfeito, deu uma aula de futebol. Diferente dos nossos craques que não apareceram para decidir, Zidane, que vinha fazendo uma Copa ruim, acabou com o time brasileiro".
No entanto, meus caros companheiros habitués do e-club D 4500, e aí é aonde estou querendo chegar, as pessoas no geral neste País de dimensões continentais pareciam mesmo, entorpecidas que se achavam pelo clima "futebolístico" que se criou de Norte a Sul, esquecer que estamos em um ano de eleições gerais para Presidente, Governador, Senador e Deputado, cujas escolhas definirão os rumos que o Brasil irá tomar pelos próximos quatro anos. Quase ninguém deu bola mais (com o perdão do trocadilho), e os que o fizeram, foi com intensidade beirando ao zero à esquerda, para os
gravíssimos escândalos de corrupção que assolam a política, e, pior, dia de jogo era praticamente feriado (menos no comércio), em um perigoso caminho de alienação que, na Argentina de Kirchner, por exemplo, fez o próprio mandatário aumentar em mais de 50% o seu próprio salário e os do Legislativo, pouco lhe interessando o que a população pudesse achar disso.
Para um País carente de quase tudo, de educação a saneamento, de habitação a emprego, de ética a cidadania, convenhamos que é, aí sim vergonhoso, ficar a se lamuriar pela eliminação (repito, merecida) da seleção "frente-fria" de Parreira enquanto milhares passam fome pelas ruas, outros se acotovelam embaixo das pontes na busca por um cantinho para dormir, a saúde vai de mal
a pior, a violência toma conta das ruas (ou alguém já esqueceu do festival de terror bancado pelo PCC em pleno feriado do Dia das Mães?), os políticos não se endireitam (agora surgem os "sanguessugas"...), muito embora, em outubro, tenhamos a oportunidade de iniciar uma nova página na História do País, pavimentando a estrada que leva a um futuro melhor.
Como cidadão brasileiro, é lógico e evidente que lastimo a eliminação na Copa, mas para mim existe vida depois de uma hecatombe dessas, continuo tendo minhas contas para pagar, continuo precisando trabalhar para prover às minhas necessidades, e nem Parreira, nem Ronaldo, nem Zagallo, nem quem quer que seja no meio esportivo vai colocar comida na minha casa se eu não o fizer. Já se diz no circo que o espetáculo tem que continuar. Sem o hexa-campeonato em 2006, vamos dar o ano como perdido e mandar tudo para o espaço? Não dá. A engrenagem do cotidiano está aí a movimentar-se, com ou
sem o futebol. Tudo bem que é parte da nossa cultura, mas só quem vive de passado é museu. Saibamos continuar com a vida, se quisermos ser dela protagonistas e não apenas coadjuvantes. Eis a principal lição a se tirar deste momento.
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
RC Recife Boa Vista – D 4500"
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